Guerreiro sem asas, mas com poesia

Nobre guerreiro que veio do céu,
não caído, como outros tantos,
mas enviado pela colossal Águia que nos guia, 
guerreiro que aqui pousou em tensa apreensão,
pois o solo não lhe era familiar,
e planar rumo ao horizonte
não fazia mais parte da missão.

Ao perder as asas, sofreu, é verdade,
pois soube naquele momento que não mais voaria, 
como tanto gostaria,
e lá do alto contemplar o pôr do sol,
referenciando a cada voo,
em seu indicador,
quando a noite vagarosamente viria. 

Contudo, saibas, que aqui, 
estimado guerreiro,
nesta terra sagrada,
os príncipes de outrora
percorreram os seus caminhos,
não sozinhos,
mas ladeados por irmãos,
que ao se darem as mãos,
como em um verdadeiro clichê
que marca toda irmandade,
tornam as passadas leves,
pois trilham juntos os  destinos
marcados no mapa em branco.

Aqui em solo, na bagagem, nobre guerreiro,
em meio a muitas tralhas,
levamos o alimento da alma,
a verdadeira e bela poesia,
em cujos motes que a vida nos dá,
deixam mais suaves as curvas
destas mal conservadas estradas.

A noite se finda,
vem a harmonia do dia,
mostrando a estrada ao longe,
ora com nevoeiro, 
ou intenso movimento,
no silêncio ou na sua ausência,
vamos,
admirando e registrando
em nossas mentes,
aqui desta terra,
as maravilhas em detalhes,
que as águias,
por mais que se esforcem,
lá de cima,
não conseguem contemplar.
Fotografia: região de Canoinhas/Alessandro José Machado
Fotografia: Grande Oeste-SC/Luiz Wiltner

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