Saudades do tempo da escola

Às vezes acordo sem querer acordar,
não que a vida do agora não seja boa,
mas é que em raros momentos,
nos sonhos brotam as lembranças
de um passado que há tempos já se foi.

Rostos que já nem lembrava mais
aparecem perfeitos, intactos,
parados no tempo de outrora,
rostos daqueles que há muito,
muito tempo não vejo mais,
rostos daqueles que se foram,
e nesta vida, não verei mais.

Como querer acordar de um sonho desses?

Sonhar com o tempo longínquo, 
em que todos os dias
vestia calça azul,
camiseta branca,
em cujo lado direito do peito
havia o brasão da escola estampado. 

A mochila ainda era leve,
carregava apenas livros, 
cadernos, lápis de colorir,
e sonhos, 
não do passado, 
mas do tempo ainda vindouro.

Ah, os sonhos do passado, 
do tempo da escola: 
a menina mais bonita, 
com as bochechas rosadas;
a professora mais bela e gentil, 
da primeira turma;
o melhor amigo,
de tantos trabalhos compartilhados; 
do chocolate quente,
tantas vezes repetido.

Como querer acordar de um sonho desses?

Não quero, mas acordo,
querendo voltar a dormir,
querendo voltar a sonhar.

Mas o sono não vem, 
e as imagens perfeitas
já regressaram
para os braços
do inconsciente.

Quem sabe um dia elas voltem!

Então permaneço em silêncio,
regozijando,
agarrando-me em cada fragmento
de sonho,
delineando cada feição até então
esquecida.

Saudades do tempo da escola,
da professora mais bela e gentil,
da menina mais bonita,
do chocolate quente,
do melhor amigo.

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