Endoscopia: Angêlo, Angélica, anestesista, pastel

Deitado na maca no hospital,
sob as luzes brancas.

Em pé, de um lado,
Ângelo, o doutor,
e Angélica, a enfermeira,

Do outro, 
a anestesista,
cujo nome não vi, 
não deu tempo, 
pois quando percebi, 
dormi. 

Aliás, nem percebi, 
apenas apaguei!

Digo, pois, que não há coisa pior, 
do que simplesmente apagar!

Se'stou com sono, 
logo percebo, 
e aos poucos, me vou. 

Mas no meio angelical, 
e com a doutora anestesista,
- talvez Ângela, Angelina, 
Celine ou Celeste ou Laylah?! -  
apenas me vou, 
sem perceber. 

Quando despertei, 
já estava dentro do carro,
pedindo pastel para minha esposa.

Quando despertei novamente, 
já estava em casa, 
comendo o pastel. 

Quando despertei pela terceira vez, 
já era de tarde, 
estava na minha cama, 
com fome. 

Coisa de louco, 
Digo sim senhor, 
De louco!

Era apenas uma endoscopia,
Mas o que realmente aconteceu, 
Não sei, 
Apaguei. 

Lembro do Ângelo, 
Lembro da Angélica, 
Lembro que não deu tempo
de brincar com o radical angelical,
muito menos de ver o nome daquela
que me faria dormir, 
ver a noite,
apagar, 
não lembrar. 

Será que é assim que acontece o boa-noite Cinderela?

É bom nem pensar, 
pois era apenas uma 
endoscopia, 
e no meio dos anjos de branco, 
o que poderia acontecer?

Lembro do Ângelo, 
Lembro da Angélica, 
Lembro da anestesista, 
Mas não faço nem ideia
do que aconteceu 
naquela sala de cirurgia,
ao fazer um simples exame
de endoscopia.

Coisa de louco,
digo mais uma vez,
apagar e nem lembrar 
de como em casa fui parar.

Sim, claro, lembro do pastel,
duas vezes por sinal!
Mas o que isso poderia significar?
Talvez que'u estivesse com fome,
e pastel, não precisa nem falar,
quem pode não gostar?

Ângelo, Angélica,
a anestesista,
Boa-noite seu Luiz, 
é o que ela sim deve ter balbuciado,
antes de me jogar na escuridão.

Assim como apaguei, 
também acordei,
num sopro divino,
da luz à escuridão
e de volta à luz.

Ângelo,
Angélica, 
doutora anestesista,
fizeram-me pensar
no grande mistério da vida:
aqui estou,
de repente me vou,
desperto, 
não lembro,
vivo,
me vou... 

E assim, 
neste vai e vem da vida,
despertamos,
sem saber ao certo,
o que vai acontecer.

E enquanto aqui penso nesta vida,
advinhe o que'stou imaginando...

Sim, claro, 
tirado da frigideira,
casquinha doirada,
sal no ponto,
cheiro verde e
muita cebolinha!

Será que os anjos
também gostam de pastel?


*Uma homenagem em visão poética a todos aqueles que diariamente se vestem de branco e atuam na saúde
Apenas um exame?! que dá fome!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s