Contemplai o pôr do sol

Como um simples pôr do sol nos faz refletir sobre a complexidade da vida humana!

Era uma habitual segunda-feira, quando por volta das 17h30min, olho para o horizonte e percebo um lindo pôr do sol em tons alaranjados.

Entro no escritório e comento com dois, três, quatro colegas de trabalho: “Tem um pôr do sol bonito lá fora!”

Minhas palavras não surtiram o resultado imaginado. Então fiz um copo de chá e regressei para o lado de fora, maravilhando-me novamente e não acreditando que as pessoas caminhavam pela calçada sem olhar para aquela gigante beleza.

“Não posso apreciar sozinho”, pensei. Então novamente fui para o interior, dessa vez soei mais provocativo para um dos colegas. “Se você gosta de fotografia”, disse eu, “tem um pôr do sol fantástico lá fora!”

Dois saíram. Seus olhares brilharam ao ver o círculo flamejante. Eis que um dos colegas lá de dentro, vendo a movimentação e os celulares sendo apontados para algum lugar, decide sair da caverna.

Logo, tornou-se o terceiro a sacar e tentar tirar a melhor fotografia com o seu telefone esperto.

Ainda não satisfeito, regressei para o interior e disse a outro colega que ele tinha a missão de tirar a melhor fotografia do sol, pois ninguém estava conseguindo retratar verdadeiramente a beleza vista. Pela feição, mostrou-se insatisfeito, mas foi. O colega ao lado, não diretamente convidado, mas ouvindo aquelas palavras, continuou ali, sentado.

Como imaginado, o último a sair também ficou maravilhado com aquele pôr do sol que já ameaçava se esconder.

Eis que percebi a magia contagiando outros mais. Ao nos verem admirando e fotografando o sol, algumas pessoas pararam a sua caminhada, olharam para a mesma direção e, em sorrisos, empulharam os seus celulares para fotografar o astro rei, enquanto ele majestosamente se despedia.

“Todos os dias o sol se põe, mas somente às vezes agradecemos e contemplamos a sua despedida. Todos os dias o sol nasce, mas quantos de nós, nesta lacônica vida, já apreciou esse majestoso momento?”

Essa narrativa, escrita da real vivência, fez-me pensar sobre as pessoas (eu, você), seus olhares, motivações, influências. Mas não nas respostas, mas sim, nas perguntas:

Como as pessoas que vivem com você reagem às suas palavras, por mais que estas estejam repletas de entusiasmo e tragam notícias boas? As pessoas permanecem paradas, esperam uma ordem para fazer algo, motivam-se em ir junto?

Quantas vezes elas já foram convidadas para ver as coisas belas da vida, mas ignoraram, alegando falta de paciência, vontade, cansaço, tempo?

Como está o seu olhar para as belezas da sua vida? O sorriso de um filho, o carinho da pessoa amada? O trabalho que executa? A sua saúde? Você é capaz de perceber o que acontece à sua volta?

Você consegue levantar a cabeça e olhar para o horizonte?

O que faz os seus olhos brilharem?

As respostas, pois bem, busque-as, lentamente, em um belo entardecer, pois estão em você, em sua mente e em seu coração.

Publicado originalmente em https://escoladepsicanalisedecuritiba.com/

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