O que é uma boa ocorrência policial?

Muitos policiais têm a falsa ideia do que seja uma boa ocorrência policial. – Evidente que essa afirmação é seguindo a minha perspectiva. Vamos a ela:

Ao assumir serviço, já ouvi muitos policiais torcerem para que desse uma boa ocorrência, e sorriam e vibravam com a ideia. Eu, por minha vez, observava aquelas expressões e ficava pensando, “será que eles têm plena consciência do que isso significa?”

Para muitos, uma boa ocorrência policial é quando ocorrem perseguições, trocas de tiro, prisões de bandidos da pior espécie.

Diga-se que essas ocorrências, dependendo da cidade, são exceções, pois a regra é atender aos incontáveis acidentes de trânsito, perturbações do sossego, brigas em família e todas aquelas ocorrência fartas de desentendimentos. Ou seja, com o tempo, para muitos, ocorre a sensação de que a finalidade não é cumprida em sua grandeza. Assim, torcem para que uma boa ocorrência aconteça.

Contudo, esse é um pensamento, no mínimo, equivocado, pois se uma “boa ocorrência” está em andamento, o crime já ocorreu, há uma ou várias vítimas, o trauma pessoal e social já foi estabelecido.

Assim, cabe tão somente à polícia tentar localizar e prender o criminoso, o que, de fato, é muito difícil, considerando rotas de fuga, tempo que o crime ocorreu e a comunicação ao canal de emergência, quantitativo de efetivo disponível para atender à ocorrência etc.

Ainda, para esse nível de atendimento, muitos policiais ainda não consideram as possíveis consequências negativas, efeitos colaterais que uma perseguição ou uma trocas de tiros podem resultar: pessoas da comunidade lesionadas, policiais alvejados e, no pior cenário, o filho chorando no colo da mãe durante o toque de silêncio em um funeral.

Se um crime grave ocorre, que se largue tudo e que se faça o melhor para dar uma resposta para a sociedade, protegendo a vida das pessoas e as suas próprias. Mas quando isso ocorre, está longe de ser uma boa ocorrência, isso apenas prova que a prevenção falhou, que o lado mau do ser humano está em ênfase, que o respeito ao próximo e a dignidade foram jogados no lixo.

Atualmente, pelas funções que exerço, em raras ocasiões efetuo policiamento externo, mas quando atuo no policiamento ostensivo, repito um pensamento que me acompanha desde 2004: “que hoje não dê uma “boa ocorrência”, que não ocorram roubos, assassinatos, que o trânsito flua sem acidentes, que as famílias permaneçam em paz”.

“Boa ocorrência policial é aquela que não acontece, pois não há vítima, não há sofrimento, não há danos dos mais diversos.”

Assim, que sejam fartas as interações com a comunidade durante o policiamento, que se fortaleça a presença em escolas, que se façam presentes nas principais vias dos municípios, que a prevenção ocorra ininterruptamente e que seja da melhor qualidade!

“Não desejemos “uma boa ocorrência”, mas se ela ocorrer, estejamos prontos para enfrentá-la.”

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