O último sopro

Vou revelar segredos
Que me foram confiados ao pôr-do-sol,
Em um gélido domingo de junho.

São intensos, solúveis, enigmáticos…

I
Vivemos instantes diferentes
Em momentos totalmente iguais.
Se sorrimos ou se choramos,
Refletimos e fazemos refletir…

II
Talvez,
Apenas talvez saibamos o poder do sorriso,
Ou do aroma de um momento especial,
Que embora único,
É parecido com tantos outros,
Que passam sorrateiros
Na loucura deste louco mundo.

III
Milhões,
São os esboços de sonhos humanos
Traçados em rascunhos sob o sol,
Ou sob a minguante adormecida.

Eles são Indiferentes; Abstratos; Utópicos,
Pois permanecem silenciosos nos corações
De seus sonhadores,
Autores,
Anônimos.

Descolorem, enrugam, fragmentam-se
e se vão.

IV
A ilusão permeia
O adocicado amor juvenil,
Lágrimas são em vão derramadas
Em meio ao turbilhão de gemidos e afagos,
Sob uma fina manta de descobertas.

Ao despertar,
Muitas estão sozinhas,
Olhando para o lado vazio,
Onde resta um lençol amarrotado.

V
Saberás o que fazer
Quando chegar o derradeiro momento!

Será o último sopro,
Sentido,
Insólito,
Intangível.

Fico então pensando,
Qual será a sua última palavra.

 

Imagem: http://umsoprodedeus.blogspot.com/2012/03/no-percurso-da-conversao.html

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