Luladrão se encontra com o barqueiro

O barqueiro sempre está esperando o eu próximo passageiro. Ora ou outra sempre aparece uma personalidade que insiste em não saber o motivo pelo qual está ao pé do inferno…

Um político especial

Barqueiro: (ereto na barca e com voz firme) Aproxime-se nobre senhor, aproxime-se, vejo que já veio no clima com essa roupa avermelhada!

Político: (olhando para os lados, meio confuso) Companheiro da capa preta, de novo estou no supremo tribunal? Já disse que não sei de nada não!

Barqueiro: Protesto! Não manche a minha capa e não difame este receptivo local, que não tem nenhuma semelhança com as maracutaias do tribunal!

Político: Dotô, percebi pela sua fala que o seu preço é alto, mas antes de nois tratá de negócio, preciso sabê de qual tribunal vossa excelência é.

Barqueiro: Companheiro, preste atenção…

Político: Ôxi, sabia que ocê era dos meus, dê um abraço aqui no teu patrão! (abre os braços).

Barqueiro: (com repugnação) Afaste-se, vi que não entende nada de interpretação, mas então preste atenção que vou falar quem sou eu então.

Político: Gostei dessa nova contratação (fala boquiaberto), vai ajudar a gente a vencer a próxima eleição! Vai lá, discursa logo irmão!

Barqueiro:  Sou o barqueiro do inferno, essa é minha barca, e sei que você é aquele que muitos chamavam de pai dos pobres e da nação! Se está aqui, é porque passou daquela para melhor, já foi julgado e condenado, e não tem mais recurso não, não importa o tostão, vai entrar na barca e visitar eternamente o cramunhão, aquele que te espera com o fogo ardente para passar a eternidade! Então entra logo e para de lenga-lenga, que aqui não engana ninguém mais não.

Político: Deixa ver se eu entendi. Vossa excelência quer dizer que fui assassinado pela extrema direita e no julgamento final fui condenado para o inferno?

Barqueiro: Ora, pois então, tedioso esse discurso! Mas vou explicar para não deixar dúvida não.

Político: Por favor, me explique que não estou entendendo nada não.

Barqueiro: Diz aqui no livro dos livros: Luis Inocêncio da Silva, trabalhador…

Político: Esse sou seu, viu só, está nos autos.

Barqueiro: Silêncio, falastrão da voz rouca, escuta até o fim então antes de tirar qualquer conclusão.

Político: Ok doutor, prossiga então.

Barqueiro: Luis Inocêncio da Silva, trabalhador quando era jovem, entrou para a política, e até foi presidente de uma nação.

Político: Ajudei os pobre a ter bolsa, comida, casa e até, acredite, mensalão e caminhão.

Barqueiro: Sim, está tudo aqui escrito a mão, de caneta vermelha em cada anotação, vejamos com atenção caro “luladrão”, palavra que consta, inclusive, em toda esta redação.

Político: Já vou logo dizendo que isso deve ser coisa daquele certo capitão! Mas prossiga, dotô cramunhão.

Barqueiro: Sim, muitos até ajudou, mas fez adoecer, passar fome e até muitos matou com o tanto que desviou, pois muitos privou da saúde, segurança e até da educação.

Político: Não sei de nada não, como já disse na apelação e até ao padre na confissão.

Barqueiro: Anotações é o que não falta na sua longa ficha. Portanto, não adianta espernear, gritar ou tentar subornar, aqui não tem acerto, a passagem é só de ida para os braços daquele que ostenta a capa vermelha.

Político: (com voz fraca e coçando a cabeça) Tô vendo que aqui é pior que aquele certo tribunal de Curitiba.

Barqueiro: (com voz meiga) Estou percebendo que o coração está amolecendo, embarca vai, lá já tem vários companheiros esperando a tua chegada.

Político: Tá bom então, mas antes de eu entrá, lê aí quem foi que mandou me matá.

Barqueiro: Vou satisfazer a tua curiosidade (barqueiro folheia e gargalha). Mandaram te matar não! Estimado beberrão. Até parece brincadeira, mas vou ler cada anotação.

Político: Leia devagar, por favor, que aqui não tenho nobres advogados para fazer interpretação.

Barqueiro: Não vai precisar, é bem simplão, estimado Luís. Quando vossa excelência saiu lá do Paraná, foi bater uma bolinha com os companheiros de acampamento, para aquecer tomou uns traguinhos, e na pelada sentiu bater forte o coração, caiu na grama e não disse mais nada não.

Político: Ehh, tem farinha nesse angu! Não acredito em nada disso não, mandaram me matá, se tivesse advogado, iria provar o que estou afirmando.

Barqueiro: (fala alto) Silêncio, pare de chorar e entra logo que já disse, não tem recurso, apelação ou seja lá o que for que inventam na justiça daquela nação.

Político: (com voz mansa) Dá uma licença então que quero sentar na primeira fila e apreciar a vista.

Barqueiro: (olhando firme) Claro, entre, sente-se onde quiser, aproveite, pois para onde irá será de uma paisagem ardente e eterna (gargalha de alegria);

Político: (entra na barca, senta-se no primeiro lugar e com semblante de perdedor olha para o barqueiro e depois para o chão).

Barqueiro: (olhando para o público) Quantos chefes de nação vocês não tem noção, já sentaram nesta barca após tanta corrupção. Deles não quero nem a moeda, é só sentar na embarcação e apreciar a vista da perdição. (anuncia) Venham, venham, há sempre vagas para bandidos, corruptos, políticos e até para ladrão, pois aqui, ninguém vai mais salvar não (gargalha).

E fica o barqueiro ereto, olhando para o horizonte, esperando mais um para a sua barca…

 

Veja quais outras personalidades já entraram na barca: Auto da Barca do Inferno – releitura

Auto-da-barca-do-inferno-Liceu-04

Imagens meramente ilustrativas: https://wingsproducoes.com.br/show-da-fisica-liceu-2/

Importante

Esta é um produção artística, toda e qualquer semelhança com a vida real ou do além é mera coincidência.

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