Então, amar ou odiar o prefeito Antídio Lunelli?

Não é nada simples responder a essa pergunta, e para tentar precisamos de argumentos que deverão ser analisados à luz não somente da razão, mas também da emoção. E assim foram ordenados os argumentos em dois textos:

Por que amar https://luizwiltner.blogspot.com.br/2017/02/por-que-amar-o-prefeito-antidio-lunelli.html

Por que odiar https://luizwiltner.blogspot.com.br/2017/02/por-que-odiar-o-prefeito-antidio-lunelli.html

Antes de iniciar a análise, deve-se enfatizar que as pessoas da comunidade que são favoráveis a todas as alterações propostas pelo prefeito, devem compreender que o regime CLT e o Estatutário são diferentes, ambas têm suas vantagens e desvantagens. Quando a pessoa analisa e opta por uma, leva em consideração todos os aspectos. Um vendedor de loja sabe que terá FGTS e quando se aposentar (financiar imóvel ou outras situações) terá um valor disponível, ganhará um porcentual sobre suas vendas e trabalhará nos domingos, se trabalhar em uma loja de shopping, por exemplo. Quanto aos servidores públicos, estes sabem que não receberão FGTS, mas que terão uma porcentagem quando completarem três anos de serviço; se forem professores gozarão de férias em dezembro e recesso em julho, mas que terão que trabalhar diariamente com crianças e adolescentes que, atualmente, em grande parcela, não têm limites, não são educados convenientemente pelos pais, são, literalmente “folgados”. Os da saúde sabem que poderão pegar plantão na noite de Natal ou no Reveillon, enquanto os demais curtem o momento com suas famílias.

Ou seja, cada profissão tem seus pontos bons e ruins. Assim, é fácil não se colocar no lugar do outro e dizer que a partir de hoje os funcionários do comércio e da indústria não receberão mais FGTS e que terão seus vencimentos cortados em 25%, mas terão que cumprir igualmente as 8 horas diárias. Também é fácil dizer que o funcionário público ganha bem, que professor não faz nada, que tira “duas férias por ano”, e que, portanto, não merecem o auxílio-alimentação, nem progressão por cursos realizados.

O que é mais interessante, é saber que todos, na verdade, estão no mesmo barco, ou seja, quando ocorre a data base, o chefe do executivo, para uns, ou o diretor da empresa, para outros, impõem inúmeras dificuldades para aumentar R$ 20,00 no salário, negociam o aumento do vale-alimentação, realizam inúmeras reuniões para discutirem com os representantes e chegarem a um acordo.

Entretanto, para retirar direitos são rápidos e implacáveis, jogam um rol de alternativas todas negativas para quem está na ponta, o trabalhador. Mas mesmo alegando crise, para o mundo CLT vemos as empresas dando lucros gigantes, e a administração pública gastando mal o erário.

Ora, todos estão no mesmo barco, mas é mais fácil ignorar isso e acusar e colocar pimenta nos olhos dos outros, é mais fácil e cômodo. Uns porque fizeram o concurso público e não passaram outros porque o vizinho recebe duas divisões de lucro por ano na empresa, ou seja lá qual for o motivo de não se apoiarem.

Mas vamos à análise:

De início temos que reconhecer um ponto fortíssimo de seu início de mandato, que a vontade de trabalhar e fazer a diferença na governança municipal.

Entretanto, esse excesso de sede pela mudança fez com que faltasse algo crucial para um gestor, que é a estratégia, e pior, esses dois fatores fez com que não conseguisse o respeito dos funcionários públicos já no início de seu mandato, fator vital para um líder e um gestor que anseia por mudança e melhoria do serviço prestado à população.

Entretanto, se essa é justamente uma estratégia (também pode ser, quem sabe), penso ser equivocada, pois “tocar o terror” sem diálogo para conseguir o que deseja, não parece ser muito inteligente e eficiente.

Para diminuir o endividamento que está na ordem de R$ 25 milhões deixado pela gestão (ões) passada (s), estão sendo tomadas medidas “impopulares”, termo empregado pela equipe de Comunicação da prefeitura.

Podemos citar o corte de verba na área da Cultura e do Esporte. Entretanto, são áreas sensíveis, que estabelecem e enraízam a expressão de uma comunidade, seja na literatura, na música, na dança ou teatro. Também se coloca em risco pessoas que se dedicam ao esporte, sejam crianças ou adolescentes, que buscam disciplina, educação e espírito de vitória, refletindo positivamente na comunidade de curto a longo prazo.

Ora, não tenho dúvidas de que cortes são necessários, mas quais foram os critérios utilizados para se cortar 100% da verba da cultura, ou então, se foi feito um estudo sério sobre os valores destinados ao esporte.

O prefeito Antídio Lunelli também está de parabéns por dizer que muitos funcionários estão sendo observados, e que é uma “vergonha” o número de atestados apresentados na prefeitura. Literalmente, ele demonstrou que irá fazer algo a respeito. Contudo, foi infeliz pelo modo que expressou e da maneira que expressou, colocando todos aqueles que apresentam atestado no mesmo balaio. Deveria antes, cobrar da junta médica informações, motivos que constam nos atestados, qual classe está sendo mais afetada e está com a saúde ruim. Buscar saber se há algo a fazer para melhorar esse quadro. Atirar sem saber exatamente quem é o inimigo corre o risco de atingir uma amigo, um funcionário exemplar, mas doente. 

Quanto aos funcionários públicos, penso que ele deixou claro que irá cobrar eficiência. E está corretíssimo. O funcionário que demonstrar que não quer bem desempenhar suas funções deverá responder um Processo Administrativo, quantas vezes forem necessárias até a sua exclusão do quadro de funcionários. Interessante seria, que fossem mostrados números, de quantos Procedimentos foram abertos nos últimos anos, pois se há servidores que “não trabalham” adequadamente, logicamente devem ter respondido procedimentos. Se não responderam quem fechou os olhos? Os diretores e gerentes das seções? O chefe do executivo? Ou até mesmo a população que sabendo de algum desvio não denunciou?

Ainda quanto aos auxílio-alimentação, é evidente que nenhum funcionário quer perder o seu no período de férias ou licença. Bem no período que terá tempo para curtir com a família, terá seu salário diminuído. Ninguém quer isso. Entretanto, sabendo que o servidor ganha por dia trabalhado e que, portanto, não recebe nos sábados e domingos, é lógico e sensato que isso seja negociado, e que o benefício não seja recebido durante as férias. Será dolorido, mas é necessário.

Outro corte necessário são os triênios de 6%. Esse percentual, atualmente, não é racional. Outra vez doerá para o funcionário. Entretanto, penso que deverá ser mantido o triênio, mas com o valor de 3%. O erário sai ganhando e os funcionários não perdem, mas permanecem com o valor que outras prefeituras praticam.

Parece-me equivocado excluir as progressões por cursos, bem como não dar o adicional de pós-graduação. Quem perderá com isso? A própria prefeitura e a sociedade, que não estará estimulando os seus funcionários a terem um aperfeiçoamento contínuo, refletindo na qualidade da prestação do serviço.

Enfim, cada ato tem seus argumentos, que perdurariam por páginas, mas o dito já serve para reflexão.

Assim, é inegável que o prefeito Antídio Lunelli demonstrou força de vontade de querer mudança, mas ele não pode se esquecer que dar murro na mesa funciona na empresa privada, quando se é dono e quem não obedece é demitido, imperando o medo pelo desemprego e o fortalecimento da imagem do chefe. No meio público a liderança fala mais alto. O exemplo de chegar no horário, de ser sempre solícito, equilibrado, pronto a ajudar. Daí a cobrança é feita, naturalmente, pela própria presença ou imagem do líder, e quem não se enquadrar e desempenhar uma boa função responderá inúmeros procedimentos e penalidades previstas no estatuto.

Penso que se o prefeito continuar assim, não será chefe, pois a prefeitura não é dele, e também não será líder, pois não terá seguidores.

Mas espero, sinceramente, que ele se encontre, que todo o seu potencial positivo seja alcançado, que ele seja bem assessorado pela sua equipe, que sua experiência como empreendedor e empresário soem positivos, pois se tudo isso acontecer, quem sairá ganhando é a sociedade e todas as pessoas, que viverão em uma Jaraguá cada vez mais Gigante e para frente, onde o diálogo, a harmonia e a prosperidade falarão mais alto.

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