"Era uma vez… família"

Olá querido diário!

Gosto muito de ir à escola, pois é um lugar onde a gente aprende um montão de coisas legais, mas hoje não foi muito legal, quase chorei, pois a professora falou sobre a Família.

Ela disse que há alguns anos atrás era normal uma família morar só em uma casa, e que nos dias atuais “isso, infelizmente, não é uma doença contagiosa!” Bem, isso eu não entendi direito, mas o que eu entendi é que no passado o pai e mãe a moravam juntos com seus filhos. Coisa que não acontece hoje.

Quando a professora começou a falar, eu comecei a lembrar do meu pai que mora em outra casa, com outra mulher e outros filhos. Eu até pensava que isso era normal, pois desde que eu me lembre, o meu pai só vem me visitar nos finais de semana, um sim, outro não, ou vários nãos e um sim, não sei direito.

Então a professora falou da vida dela, que os pais moravam juntos, que eles sempre brincavam com ela quando era criança, que eles saíam juntos para passear, como era gostoso o abraço do pai e da mãe. Eu quase chorei quando ela falou isso, pois a minha mãe não tem tempo de brincar comigo porque ela trabalha o dia inteiro, e quando chega em casa de noitinha, ela está muito cansada, vê a novela e vai dormir. Meu pai, quando aparece, me traz um presente, pergunta como estou, como está a aula, diz que é para eu me comportar… esse tipo de coisa. Sabe, querido diário, foi difícil segurar o choro, e deu um aperto no coração só de lembrar.

Acho que não era só eu que estava com vontade de chorar, pois quando olhei para o lado vi o Paulinho lacrimejando. E quando a professora perguntou porque ele estava chorando, ele respondeu que mora com a avó desde que sua mãe morreu, quando ele nasceu. Ele disse que a avó vive dizendo que ele não tem pai, que foi a cegonha que o trouxe na hora errada.

Então a professora mandou erguer a mão quem morava com a mãe e com o pai…

Percebi que ter pai e mãe morando junto com o filho realmente não é normal, pois só quatro ergueram as mãos. A maioria vive só com a mãe, outros com o pai, alguns com os avós. Um mora com os tios, e o aluno novo mora em um abrigo para crianças sem pai, sem mãe ou avó, junto com outros meninos que também não têm ninguém. Ainda tinha alguns que viviam com as madrastas ou com os padrastos (achei difícil esses nomes, mas acho que é assim que se escreve).

Sabe diário, depois que a professora falou tudo aquilo e os coleguinhas falaram como são as suas famílias, fiquei imaginando como seria legal morar com o meu pai e com a minha mãe. Daí meu pai poderia trabalhar e minha mãe poderia ficar em casa brincando comigo. Meu pai poderia chegar do trabalho e eu poderia levar o chinelo para ele, e então poderia dar um abraço e um beijo nele. Seria legal passearmos juntos, de mãos dadas e fazer um montão de coisas que as famílias antigas faziam.

É uma pena que não nasci antes, no passado, não importa se não tivesse vídeo-game, nem computador, pois eu teria uma família legal, e a gente se amaria.

Sabe, hoje sou muito nova, mas quando eu crescer e a cegonha chegar para mim, tomara que eu encontre um menino pra gente fazer uma família antiga e viver feliz para sempre! Ela vai ser bem assim:

imagem: http://geysongoncalves.blogspot.com.br/2012/05/responsabilidade-civil-por-abandono.html

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