Xadrez, Ferrari e a Megarampa (!)

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Mais um final de semana chegando. Lembro do último, mais especificamente do domingo de manhã.
Fiquei assistindo ao Esporte Espetacular, e três momentos serviram para reflexão: a megarampa do skate, o retorno do jogador Adriano ao Flamengo e, por último, o jogo de xadrez nos presídios.
Quanto à rampa de skate que possuía 27 metros de altura, chamada de megarampa, pude contemplar, além dos fabulosos tombos, a presença de crianças desafiando toda aquela altura.
Elas mostraram que, além de superar o desafio, foram mais felizes que muitos adultos. Transpareceram, sobretudo, alegria nas manobras e na comemoração. Foi o esporte mostrando, mais uma vez, que quanto mais cedo começar mais chances de um talento ser descoberto. Claro que exceções ocorrem, mas como ressaltei, são exceções.
Outra matéria foi o retorno do jogador Adriano ao futebol. Como senti  “emoção” ao ouvir que muito dinheiro pode atrapalhar a vida de uma pessoa. Que possuir, na mesma garagem, uma Ferrari, um Porsche e outros veículos podem desequilibrar a vida de qualquer pessoa. Mas hoje, com um contrato de risco com o Flamengo – ou melhor: para o Flamengo -, recebendo 50 mil reais por mês, mais 50 mil por jogo, ele ressalta que espera jogar futebol em alto nível.
Como fiquei “comovido” com a matéria! Senti até vontade de enviar um e-mail com palavras de “coragem e força” para essa nova fase do jogador.
Agora, sem ironia nas entrelinhas, mas com certa indignação, digo que a matéria que mostrou a reintegração de detentos, por intermédio do jogo de xadrez, soou, no mínimo, perturbadora.
“Projeto de xadrez como reabilitação social”, esse foi o foco da matéria feita no Espírito Santo.
Embora a reportagem tenha mostrado o lado “romântico” de todo o processo, penso que o xadrez nunca deveria ser ensinado no xadrez, nas cadeias. Pois com o xadrez (o jogo) as pessoas aprendem a planejar antes de executar. Aprendem a conhecer e reconhecer o valor das peças, e que uma jogada errada pode custar o jogo inteiro. – Tá, mas qual é o problema, pergunta você, prezado leitor?
O problema é que a imensa maioria dos presidiários, quando saem da cadeia, voltam à criminalidade. Entretanto, felizmente, como são tolos, voltam para a cadeia, lugar que nunca deveriam ter saído.
Porém, aprendendo a jogar xadrez, eles estarão aprendendo a pensar, a raciocinar. Logo, ficará mais difícil hospedá-los novamente no hotel do governo.
Até fico imaginando eles jogando xadrez: “(…) o rei do adversário é a joalheria, o bispo são as câmeras, as torres os guardas, a rainha a viatura policial que ronda por todo o tabuleiro…” Em contrapartida, o seu lado do tabuleiro, imagina o jogador, é composto por comparsas, informantes, rotas de fuga, sendo ele, o rei, aquele que não pode cair.
Por favor, proíbam xadrez nos presídios! Não agucem a inteligência dos cidadãos em conflito com a Lei. Ensinem culinária, jardinagem, Yoga, artesanato… Permitam que eles permaneçam na santa ignorância daqueles que não precisam sair dela. 

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